segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

A Lenda da Lua Azul



Segundo esta lenda egípcia, do dia 23 de outubro até o dia 31 de outubro, misteriosamente, a Lua modifica sua cor em matizes de azul. Quando o Sol entra no signo de escorpião, representado pelo Arcano Maior XIII: “A MORTE”. Acredita-se que são os nove dias que Isis procurou por Osíris pelo Egito.

Ísis era uma deusa egípcia. Era irmã e mulher de Osíris e era filha do deus da terra, Geb, e da deusa do céu, Nut. Era ainda mãe de Hórus e cunhada de Set. Ísis, a deusa do amor e da mágica, tornou-se a deusa-mãe do Egito.

Quando Osíris herdou o poder no Egito, ela trabalhou junto com ele para civilizar o Vale do Nilo, ensinando a costurar e a curar os doentes e introduzindo o conceito do casamento. Ela conhecia uma felicidade perfeita e governava as duas terras, o Alto e o Baixo Egito, com sabedoria enquanto Osíris viajava pelo mundo difundindo a civilização.

Até que Set, irmão de Osíris, o convidou para um banquete. Tratava-se de uma cilada, pois Set estava decidido a assassinar o rei para ocupar o seu lugar. Set apresentou um caixão de proporções excepcionais, assegurando que recompensaria generosamente quem nele coubesse. Imprudente, Osíris aceitou o desafio, permitindo que Set e seus servos pregassem a tampa e o tornassem escravo da morte.

Cometido o crime, Set, que cobiçava ocupar o trono de seu irmão, lança a urna ao Nilo, para que o rio a conduzisse até ao mar, onde se perderia. Este incidente aconteceu no décimo sétimo dia do mês Athyr, quando o Sol se encontra sob o signo de Escorpião.

Quando Ísis descobriu o ocorrido, afastou todo o desespero que a assombrava e resolveu procurar o seu marido, a fim de lhe restituir o sopro da vida. Assim, cortou uma madeixa do seu cabelo, estigma da sua desolação, e o escondeu sob as roupas peregrinando por todo o Egito, na busca do seu amado.

Por sua vez, a urna atingiu finalmente uma praia, perto da Babilônia, na costa do Líbano, enlaçando-se nas raízes de um jovem tamarindo, e com o seu crescimento a urna ascendeu pelo mesmo se prendendo no interior do seu tronco, fazendo a árvore alcançar o clímax da sua beleza, que atraiu a atenção do rei desse país, que ordenou ao seu séquito que o tamarindo fosse derrubado, com o propósito de ser utilizado como pilar na sua casa.

Enquanto isso, Ísis prosseguia na sua busca pelo cadáver de seu marido, e ao escutar as histórias sobre esta árvore, tomou de imediato a resolução de ir à Babilônia, na esperança de ultimar enfim e com sucesso a sua odisséia. Ao chegar ao seu destino, Ísis sentou-se perto de um poço, ostentando um disfarce humilde e brindou os transeuntes que por ela passavam com um rosto lindo e cheio de lágrimas.

Tal era a sua beleza e sua triste condição que logo se espalharam boatos que chegaram ao rei da Babilônia, que, intrigado, a chamou para conhecer o motivo de seu desespero. Quando Ísis estava diante do monarca solicitou que permitisse que ela entrelaçasse os seus cabelos. Uma vez que o regente ficou perplexo pela sua beleza, não se importou com isso, assim; Ísis incensou suas tranças que espalharam o perfume exalado por seu corpo.

A rainha da Babilônia ficou enfeitiçada pelo irresistível aroma que os cabelos de Ísis emanavam. Literalmente inebriada por tão doce perfume dos céus, a rainha ordenou então a Ísis que a acompanhasse.

Assim, a deusa conseguiu entrar na parte íntima do palácio do rei da Babilônia, e conquistou o privilégio de tornar-se a ama do filho recém-nascido do casal régio, a quem amamentava com seu dedo, pois era proibido a Ísis ceder um dos seios; o leite prejudicaria a criança.

Se apegando à criança, Ísis desejou conceder-lhe a imortalidade. Para isso, todas as noites a queimou no fogo divino, para que suas partes mortais ardessem no esquecimento. Certa noite, durante o ritual, Ísis tomou a forma de uma andorinha, a fim de cantar as suas lamentações.

Maravilhada, a rainha seguiu a melodia que escutava, entrando no quarto do filho, onde se deparou com um ritual aparentemente hediondo. De forma a tranqüilizá-la, Ísis revelou-lhe a sua verdadeira identidade e terminou o ritual, mesmo sabendo que dessa forma estaria a privar o pequeno príncipe da imortalidade que tanto desejava oferecer-lhe.

Observando que a rainha a contemplava, Ísis aventurou-se a confidenciar-lhe o incidente que a fez visitar a Babilônia, conquistando assim a confiança e benevolência da rainha, que prontamente lhe cedeu a urna que continha os restos mortais de seu marido. Dominada por uma imensa felicidade, Ísis apressou-se a retirá-la do interior do pilar.

Porém, o fez de forma tão brusca, que os escombros atingiram mortalmente o pequeno príncipe. Outra versão desta lenda, afirma que a rainha expulsou Ísis ao ver o ritual; no qual ela retirou a urna do pilar, sem o consentimento dos seus donos.

Com a urna, Ísis regressou ao Egito, onde a abriu, ocultando-a, nas margens do Delta. Numa noite, quando Ísis a deixou sem vigilância, Seth descobriu-a e apoderou-se, uma vez mais dela. Retirou do seu interior o corpo do irmão e o cortou em 14 pedaços, arremessando-os ao Nilo.

Ao tomar conhecimento do ocorrido, Ísis reuniu-se com a sua irmã Néftis, que também não tolerava a conduta de Seth, embora este fosse seu marido, e, juntamente com o menino chacal Anúbis, recuperaram todos os fragmentos do cadáver de Osíris, auxiliados pelo faro de Anúbis. Encontraram treze partes do deus, com exceção de seu pênis, que foi comido por um peixe.

O corpo de Osíris foi remontado e mumificado através da magia de Anúbis, no papel de sacerdote embalsamador. Em seguida, Ísis organizou uma vigília fúnebre, na qual suspirou ao cadáver reconstituído do marido: “Eu sou a tua irmã bem amada. Não te afastes de mim, clamo por ti! Não ouves a minha voz? Venho ao teu encontro e, de ti, nada me separará!” Durante horas, Ísis e Néftis, com o corpo purificado, inteiramente depiladas, com perucas perfumadas e boca purificada por natrão (carbonato de sódio), pronunciaram encantamentos numa câmara funerária, impregnada por incenso.

A deusa invocou então todos os templos e todas as cidades do país, para que estes se juntassem à sua dor e fizessem a alma de Osíris retornar do Além. Uma vez que todos os seus esforços revelavam-se vãos, Ísis assumiu então a forma de um falcão, cujo esvoaçar restituiu o sopro de vida ao defunto, oferecendo-lhe a ressurreição.

Ísis em seguida amou Osíris, mantendo-o vivo por magia, tempo suficiente para que este a engravidasse. Após isso, ela ajudou a embalsamá-lo, preparando Osíris para a viagem até seu novo reino na terra dos mortos, tendo assim ajudado a criar os rituais egípcios de enterro.

Ísis encontrava-se agora grávida, concebendo assim Hórus, filho da vida e da morte, a quem protegeria até que este fosse capaz de enfrentar seu tio, apoderando-se (como legítimo herdeiro) do trono que Set havia usurpado.

Ísis ocultou-se, secretamente, no Delta, onde se preparou para o nascimento do filho, o deus-falcão Hórus. Quando este nasceu, Ísis tomou a decisão de dedicar-se inteiramente à árdua incumbência de velar por ele. Todavia, a necessidade de ir procurar alimentos, acabou deixando o pequeno deus sem qualquer proteção. Numa dessas ocasiões, Set transformou-se numa serpente, visando espalhar o seu veneno pelo corpo de Hórus. Quando Ísis regressou, encontrou o filho já próximo da morte. Entretanto, sua vida não foi ceifada, devido a um poderoso feitiço executado pelo deus-sol, Rá.

Ela manteve Hórus em segredo até que ele pudesse buscar vingança em uma longa batalha que significou o fim de Set. Durante o combate com Set, Hórus perdeu o olho esquerdo. O olho sacrificado de Hórus foi oferecido à múmia de seu pai, osíris, fazendo a deidade retornar à vida.

A mágica de Ísis foi fundamental para ajudar a conseguir um julgamento favorável para Osíris. Com isso, Osíris passou a reinar para além do ciclo de vida e morte. Foi entronado como sendo o senhor e juiz dos mortos. E sua esposa, a deusa Ísis, tornou-se a grande senhora da magia, em todos os mundos.

"Ísis sob a forma de serpente se ergue na fronte do rei para destruir os inimigos da Luz, e sob a forma da estrela Sótis, anuncia e desencadeia as cheias do Nilo.”